A estudante Moselly Fonseca de Souza do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia, orientada pela professora Adriana Pastorello Buim Arena, escreveu uma história a partir de um relato oral de Maria da Conceição Lima, como parte das atividades desenvolvidas na disciplina Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa.

Áudio do conto histórias da boca do povo. Contador: Maria da Conceição Lima

Miçanguinha de ouro

História contada por Maria da Conceição Lima

Escrita por Moselly Fonseca de Souza

Era uma vez uma mulher simples que criava sozinha sua afilhada, uma menina pequena, dócil e obediente. As duas viviam juntas, como mãe e filha. Certo dia, a mulher foi até o rio lavar roupas e levou a menina consigo. A criança usava um colar de miçangas de ouro, muito querido por sua madrinha.

Depois de terminar o trabalho, elas voltaram para casa, mas a mulher percebeu que havia esquecido o colar à beira do rio. Preocupada, mandou a menina retornar para buscá-lo. A criança seguiu sozinha pelo caminho, sem imaginar o perigo que a aguardava.

No meio do trajeto, surgiu um homem estranho carregando um grande surrão, uma espécie de tambor ou caixa de couro, como se dizia antigamente. Ele enganou a menina, colocou-a dentro do surrão, costurou a abertura e saiu caminhando pelas estradas.

Por onde passava, o homem parava nas casas e dizia:

— Vocês querem ver meu surrão cantar?

Então, ele batia no surrão e, de dentro, a menina cantava com uma voz triste e fraca:

“Miçanguinha de ouro, madrinha, que no rio me esqueceu.

Miçanguinha de ouro, madrinha, que no rio me esqueceu.”

As pessoas, curiosas e impressionadas, davam dinheiro ao homem para ouvir o surrão cantar. Assim, ele foi enchendo os bolsos, repetindo o mesmo truque de casa em casa, enquanto a menina, presa, sentia fome, medo e fraqueza.

Até que, em uma de suas paradas, ele chegou à casa da madrinha da menina. A mulher estava socando arroz no pilão quando ouviu a cantoria. A voz que vinha de dentro do surrão lhe pareceu estranhamente familiar.

Ela pediu que o surrão cantasse novamente. A canção se repetiu, agora ainda mais fraca:

“Miçanguinha de ouro, madrinha, que no rio me esqueceu…”

Desconfiada e tomada pela intuição, a madrinha percebeu que algo estava errado. Aproveitando um momento de descuido, atingiu o homem com a mão do pilão, fazendo-o cair desacordado.

Rapidamente, ela abriu o surrão e encontrou a menina lá dentro, magra, pálida e muito fraca. Emocionada, chamou os vizinhos, que se reuniram para ver a criança que todos procuravam havia tanto tempo.

Assim, a menina foi salva e voltou para casa, longe do sofrimento que havia passado. A história ficou conhecida como um alerta, lembrando que o mal pode se esconder até nas coisas que parecem encantadoras.